segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Censura no Twitter gera muita polemica.




As reações ao anúncio de que o Twitter bloqueará conteúdos contrários às leis do país em que forem publicados não se fizeram esperar: há ameaças de boicote e as críticas multiplicam-se, mas a decisão também já mereceu um apoio oficial.


O anúncio aconteceu um dia depois do primeiro aniversário dos protestos na Praça Tahrir, no Cairo, o primeiro passo para a chamada “Primavera árabe” em que o Twitter desempenhou um papel essencial na convocação dos protestos dos opositores às ditaduras vigentes nos países da região.


Daí que, segundo o The Guardian, mais de metade dos posts com a hashtag #TwitterCensored fossem em árabe. Um dos utilizadores, @abatmeem, parodiou a decisão com a imagem de um pássaro azul morto, de patas para o ar, seguida do comentário “o Twitter furou o silêncio com o seu bico e agora desafia os tiranos a vingarem-se. Desculpa, pássaro Twitter, já não és aquele pássaro que cantava todas as melodias, tornaste-te um papagaio que apenas repete o que lhe dizem”.


Outras mensagens mostravam o pássaro azul riscado com uma cruz vermelha ou uma faixa negra a fechar-lhe o bico. Outro utilizador árabe, @alanoud45, perguntou: “Quanto te pagaram, Twitter?”.


Também o dissidente chinês Ai Weiwei, se juntou aos protestos: “Se o Twitter começar a fazer censura, eu deixarei de twittar”.


Entretanto, o Twitter recebeu o apoio do governo tailandês: citado pelo jornal The Bangkok Post, o ministro da informação, Jeerawan Boonperm, considerou a decisão “um desenvolvimento bem-vindo”. A Tailândia é o 153.º país (num total de 178) no ranking da liberdade de imprensa de 2011 elaborado pelo movimento Repórteres sem Fronteiras.


Na sequência das críticas, o Twitter publicou ,no seu blogue oficial, um esclarecimento sobre o modo como se processará a retenção de conteúdos.


“Acreditamos que esta nova abordagem à retenção de conteúdos é boa para a liberdade de expressão, transparência e responsabilidade – e para os nossos utilizadores. Além de nos permitir manter os tweets disponíveis em mais locais, também permite aos utilizadores ver até que ponto correspondemos ao nosso ideal de liberdade de expressão”, justifica a rede.


Segundo o blogue, a retenção de conteúdos acontecerá apenas reativamente: ou seja, só com um pedido legal “válido e aplicável”. “Avaliaremos cada pedido antes de agirmos. Qualquer conteúdo que seja retido em resposta a um pedido legal será claramente identificado como estando retido – aparecerá um alerta com a mensagem “tweet retido” ou @utilizador retido” – mas ficará acessível a utilizadores do resto do mundo”, esclarece.






Fonte: The Guardian e Twitter Blog

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