quinta-feira, 16 de maio de 2013

Fifa alerta sobre publicidade e pirataria durante eventos no Brasil


Próximo de sediar o maior e mais assistido evento do planeta, o Brasil trabalha para se adequar às normas da Fifa, entidade responsável pela organização das principais competições de futebol. Dentre as importantes questões em discussão está a regulamentação da publicidade, bem como a proteção das marcas patrocinadoras oficiais contra pirataria e outras ações ilícitas. Nesta quarta, a Fifa promoveu um encontro entre especialistas, publicitários e jornalistas com o objetivo de sanar as dúvidas que envolvem tal regulamentação.
A proteção dos patrocinadores oficiais, para que eles tenham a exclusividade na divulgação de sua marca, é uma das problemáticas consideras chave na organização de competições como a Copa das Confederações, realizada no próximo mês, e a Copa do Mundo, em 2014. Afinal, o dinheiro envolvido nas ações publicitárias não é pequeno.
A receita da Fifa comprova tamanha importância oferecida à questão, uma vez que 93% é fruto da venda de direitos de marketing e transmissão. Desse total, 87% são arrendados durante a realização da Copa do Mundo. Os demais rendimentos veem de receitas financeiras e operacionais.
"É uma motivação para os membros da Fifa organizar uma Copa do Mundo no Brasil. São 12 cidades-sede e 12 políticas diferentes, então toda essa diversidade é um desafio para nós", afirmou Vicente Rosenfeld, consultor de proteção às marcas da Fifa.
Rosenfeld ressaltou a responsabilidade da Fifa frente a organização do evento. "A infraestrutura é federal, porém a organização cabe a Fifa", pontuou. Em vista disso, a entidade se preocupa com problemas como pirataria, e-mail falsos em nome da Fifa, realização de eventos não-autorizados, entre outras irregularidades que ganham impulso com a proximidade da Copa do Mundo.
O desrespeito às normas de proteção das marcas é recorrente e cometido por pequenas e grandes empresas, seja por falta de informação ou em tentativa de driblar a lei para promover determinado produto. "Está será a primeira Copa com as informações de proteção às marcas presentes no site oficial da Fifa", comemorou Rosenfeld.
Os exemplos de irregularidades são inúmeros e vão desde venda de balas de coco com o emblema da Copa do Mundo até cursos de inglês e hotéis, que usam conceitos de propriedade intelectual da Fifa ao seu favor.
Visando inibir ações de publicidade indevida, uma das medidas será a área de restrição no entorno dos estádios, um raio de no máximo dois quilômetros onde a propaganda e a vende de produtos será controlada.
Para isso será preciso combater as diversas e criativas formas divulgação gratuitas de marcas. Trata-se do chamado marketing emboscada. A distribuição de brindes com o logo de uma empresa não-patrocinadora é uma tentativa de publicidade gratuita, assim como a infiltração de personagens cujo objetivo é chamar a atenção publica para determinado produto. A circulação de veículos com marcas também é proibida e as autoridades se preparam para combater esse tipo de irregularidade.
"Na África do Sul, nós tivemos um caso curioso. Um caminhão com publicidade foi ‘acidentalmente’ estacionada na área de proteção comercial e o motorista do veículo simplesmente sumiu", contou Gustavo Piva de Andrade, advogado especializado nos negócios que envolvem a Lei Geral da Copa.
Além da instrução de elementos publicitários, a associação também configura um problema. As agências de propaganda devem estar atentas para não se apoderar do evento para a divulgação de sua marca. Só será permitida publicidade utilizando itens genéricos de futebol, que não remetam aos eventos organizados pela Fifa.
Ação conjunta do governo com empresas combate a pirataria na Copa
Uma das grandes preocupações que tira o sono dos membros da Fifa e dos veículos de publicidade é a pirataria. Não se trata de uma questão exclusiva dos produtos licenciados da Copa do Mundo, mas a chegada de eventos esportivos desta dimensão intensifica a prática do comércio ilegal.
"A pirataria não é exclusiva do Brasil, mas aqui é muito forte. O brasileiro olha com compaixão para o vendedor ambulante, porém é por trás dele que está o crime organizado. Indo fundo na organização, encontramos armas de fogo e trabalho escravo", alertou Elisa Gattás, gerente de proteção às marcas da Adidas, patrocinadora oficial dos eventos da Fifa.
A empresa de artigos esportivos já trabalha em conjunto com o Governo Federal para combater a pirataria. "Estivemos em uma reunião com policiais para que eles conhecessem nossos produtos, de modo a identificar quando se trata de um caso de pirataria", ressaltou Gattás.
A Operação Gol de Letra é uma das medidas que visam combater a pirataria. A ação da polícia visa aprender bolas falsificadas, que são foco da rede de pirataria com a aproximação das competições da Fifa no Brasil. Em poucos meses, mais de 500 mil bolas foram apreendidas. "Em um dos carregamentos irregular, o cheiro de tinta tóxica era tão grande que tínhamos dificuldade de permanecer no local. Isso impediu inclusive que nós fizéssemos doações das bolas", contou a gerente. "Nós temos que fazer um duplo trabalho, de proteção dos nossos ativos e dos nossos consumidores", completou.

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