quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Whatsapp faz Facebook desembolsar US$ 19 bilhões em acordo de compra

Plataforma social paga caro para finalmente chegar a quase todos os smartphones em importantes mercados móveis, como o Brasil


Se quando o Facebook anunciou a compra do Instagram por US$ 1 bilhão, analistas enfatizaram o alto valor desembolsado por um aplicativo móvel. Na noite da última quarta-feira (19/2), contudo, esse valor se tornou praticamente irrisório perto dos US$ 19 bilhões que o Whatsapp receberá da empresa de Mark Zuckerberg, conforme o anúncio de aquisição divulgado pelas companhias.
O valor é composto por US$ 4 bilhões em caixa e aproximadamente US$ 12 bilhões em ações do Facebook. Após conclusão da operação, US$ 3 bilhões adicionais completam o negócio, garantidas somente aos fundadores e funcionários do Whatsapp que permanecerem na companhia por quatro anos.
Números
Será que o Whatsapp vale tudo isso? O preço é quatro vezes a capitalização de mercado da Blackberry e 2,8 vezes a do GroupOn. Considerando recentes transações entre fabricantes de dispositivos móveis, está bem acima do preço pago por companhias tradicionais. A Lenovo pagou US$ 2,91 bilhões pela unidade da Motorola Mobility do Google; e a Microsoft adquiriu a unidade de celulares da Nokia por US$ 7,2 bilhões. Mesmo no mundo dos apps, o valor é exorbitante – o Viber, aplicação também de troca de mensagens e ligações via IP, foi adquirido por US$ 900 milhões pela japonesa Rakuten.
O diferencial da aquisição do Facebook, contudo, está na presença entre usuários de smartphones. No Brasil, conforme dados compilados ao fim de 2012 pela linchpin, o app está presente em 71% dos smartphones, bem acima do Facebook Messenger (34%). Em países europeus, a o cenário é semelhante. A Espanha mantém proporção 97% contra 13%; a Holanda, 83% contra 12%; e a Alemanha, 84% contra 12%, apenas para citar alguns exemplos.
Gráfico: linchpin/Techcrunch
Levando em conta que o Facebook adquiriu a linchpin por US$ 100 milhões no ano passado e parou de disponibilizar os dados de uso dos aplicativos móveis ao público, é bem provável que a equipe da plataforma social tinha informações valiosas sobre a dificuldade de entrar em importantes mercados de mobilidade. E a aquisição colocou a empresa exatamente lá onde ela queria estar. Ou melhor, aqui, no seu (e no meu) celular.
De acordo com os números divulgados pelo Facebook, mais de 450 milhões de pessoas usam o Whatsapp todo mês e 1 milhão de novos usuários são registrados diariamente. Ele é apontado como um dos responsáveis por derrubar e muito a receita das operadoras com SMS, embora nenhuma das brasileiras admita isso (elas argumentam que seus usuários acabam adquirindo planos de dados móveis). Um executivo de uma companhia de pagamentos, contudo, revelou que soube de um representante de uma operadora que o faturamento com SMS chegou a cair 40% devido ao uso de mensagens via aplicativos.
Retorno financeiro
Apesar dos números serem relevantes, a dúvida que paira é como o Facebook terá retorno desse valor. Não é segredo da companhia que o principal desafio é a mobilidade para garantir receita da publicidade móvel, uma vez que os anúncios desempenham importante papel da receita do Facebook.
E isso é crucial para permanência dos usuários no aplicativo. Nas redes sociais, já é possível ler algumas pessoas ameaçando desistir de usar o software caso ele seja inundado por publicidade. Por isso, Mark Zuckerberg já afirmou: anúncios não são a maneira para monetizar o WhatsApp, que massificou justamente por seu design simples, ausência de anúncios e eficiência com a rapidez na troca de mensagens de texto, imagens, voz e vídeo.
Isso sem mencionar a incerteza frente à questão de privacidade. Ao cruzar os dados do Whatsapp com os dos perfis no Facebook, Zuckerberg tem em mãos um ativo poderosíssimo. Para uma companhia que acumula ações judiciais por abuso no uso das informações dos usuários com questões de privacidade, é esperado um posicionamento a respeito em breve.
Por agora, essas incertezas se refletiram no preço das ações do Facebook na Nasdaq, que caíram 5% no after market após o anúncio da compra.


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